Vão a pé a Fátima movidos pela fé, pela vontade de rezar no Santuário e agradecer a Nossa Senhora o bem--estar que sentem. Mostram uma forma de sentir e viver a religião em tudo contrária àquela que é comum ver-se na Cova da Iria com os pagadores de promessas. Francisca Arranhado é um desses exemplos. Mulher, de 55 anos, percorreu, só por devoção, quase 300 quilómetros, desde o litoral alentejano, em Santo André, Santiago do Cacém, num grupo de 50 pessoas, homens e mulheres com idades entre os 73 e os 26 anos, de várias paróquias pertencentes à diocese de Beja. A sua é a de Santo André. Foi nesta que se reuniu o grupo, mas com gente de mais cinco: Alvalade Sado, Almodôvar, Beja, Sines e Santiago do Cacém."Há cinco anos, o primeiro ano, vim de promessa", conta, sem querer adiantar o que prometeu. Depois continuou e neste 13 de Maio fez a sua quinta caminhada de 286 quilómetros. "Agora é para ajudar os outros peregrinos e agradecer o bem que se tem", explica. O grupo integra até quem pouco vai à missa na igreja local, mas não deixa de ir a Fátima em peregrinação a pé pela "solidariedade" de que se reveste o acontecimento. Já o mais velho, "Sr. Manuel", de 73 anos, residente em Almodôvar, teve uma missão mais pesada. Havia saído para o autocarro que os ia levar de regresso quando o DN encontrou, ontem, uma parte do grupo. Francisca e os outros falam com admiração deste homem e da particularidade da sua peregrinação: "Fez o percurso carregando uma cruz." "E chegou bem porque foi muito apoiado e houve sempre uma grande entreajuda", concluíam, orgulhosos, entre eles, Dário Encarnação, um jovem de 29 anos que só este ano se atreveu a seguir "os companheiros". É auxiliar de acção médica no hospital do litoral alentejano, instituição que também cooperou fornecendo alimentos ao mais alto nível com a presença de um dos membros da direcção. Também o padre Manuel Malvar, responsável pela paróquia de Santo André, está sempre presente. "Tem mais de 60 anos, mas caminha connosco" e "dorme , como nós, no chão. Não é costume o padre acompanhar-nos", focavam, evidenciando a estreita ligação entre todos...
in " DN Online "
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